Artigos úteis para pais e alunos.

Qual o Papel de Cada Um?

Pais, escola e alunos: qual o papel de cada um?

Todo ensino depende de princípios. E para que um professor possa ensinar princípios é necessário que ele tenha discernimento de quais princípios regem sua profissão, desta forma poderá vivenciar em seu dia a dia de trabalho valores e virtudes que venham de encontro com tais alicerces.

Mas o que é ser professor? Há muitos livros que tentam responder a esta pergunta, já foi dito que é um dom, como se fosse uma capacidade além da pessoa. Mas tal como qualquer outra profissão ela requer habilidade, mas não é um dom e sim uma decisão. Decisão esta que engloba: trabalho, treinamento, disposição para lidar com pessoas, o que exige amor ao próximo, tolerância e respeito às diferenças.

Estes são os princípios da profissão de educador: é ensinar com amor. Pois conteúdos só podem ser aprendidos numa relação afetiva, caso contrario, serão apenas assuntos decorados. Conhecidos mas desconectados de aplicação. Para um aluno desenvolver um conhecimento ele precisa gostar, se identificar com aquele conteúdo e estes sentimentos são produzidos no aluno através da figura do professor.

Da mesma forma há princípios que regem toda as escolas. O mais básico – e, ironicamente, o que estamos distantes na atualidade – é do entendimento de que a escola é uma instituição afetiva. Sim, a escola é uma empresa, mas se baseia num compromisso ético de ensinar e a ética do ensino esta totalmente ligada a ética do cuidado. Não se pode ensinar sem cuidar, um não ocorre sem o outro. A criança quando entra na escola precisa ser cuidada por este espaço, por isto a escola complementa a família. É um lugar de intimidade entre professor e aluno, e entre alunos, onde amizades são construídas e vivenciadas. As questões emocionais que a criança vive em casa repetirá na escola e será a postura dos educadores ali presentes determinantes para sua resolução.

A escola é um espaço de cuidado e não só de aprendizado. As escolas antigas, gregas principalmente, baseavam-se nesta premissa. As pessoas se reuniam para aprender a pensar, falavam de duvidas sobre a constituição do universo, da Terra, das estrelas e etc. não havia material didático, nem quadro negro e muito menos sala de aula, mesmo assim, as pessoas tinham sede de aprender. Os avanços para a formação do espaço escolar foram importantes e são necessários para que a educação avance. Porém, foi-se esquecendo de que crianças são incultas, não sabem das coisas e precisam aprender inclusive a ser cidadãos dentro da escola. O que só pode ensinado de forma afetiva.

Ainda mais quando a entrada na escola se dá cada vez mais cedo. Bebês tem ido para a escola, e se este não for um espaço amoroso que seres sairão dali? Não há desenvolvimento emocional sem convivência afetiva e isto requer pessoas que se dediquem a cuidar dos pequenos, antes dos 13-14 anos de idade uma criança não sabe se cuidar sozinha e por isso precisa tanto de pais presentes, como de professores influentes. Que gostem de sua profissão e gostem, principalmente, de crianças.

Tudo precisa ser aprendido – como brincar, como socializar, o que são limites, quais seus direitos e deveres. A criança não entra na escola sabendo tais coisas, ate mesmo porque o ambiente familiar atual não proporciona esta socialização. As famílias hoje são pequenas, com poucos filhos, sem quintal, então é dentro da escola que a criança aprenderá a dividir, compartilhar, esperar, se frustrar.

Os berçários e pré-escolas tem um papel, desta forma, fundamental no desenvolvimento da criança. Que vai muito além da educação pura e simples.

Por esta razão os pais precisam buscar um ambiente que venha de encontro com seu jeito de ser, nem toda escola serve para toda criança. A escola é extensão do lar, tem que ter valores parecidos com os que os pais pregam em casa. Se a escola têm outra visão de mundo o espaço familiar e escolar não se completarão e com isto a criança sofre, a escola sofre e os pais sofrem.

A escola é um espaço lúdico que possibilita o brincar, interagir, expressar-se. Principalmente na primeira infância, que é brincando, socializando que a criança desenvolve afetos. O foco deve ser em desenvolver capacidades, mais do que transmitir conteúdos. Pois quando a criança entende as capacidades que têm e quais são suas habilidades, saberá usar o aprendizado a seu favor. Isto envolve professores atentos, dispostos e dedicados. Mas o resultado são crianças mais calmas, obedientes e satisfeitas.

Pois quando a escola é este espaço afetivo a criança cria vínculos com as pessoas e as coisas existentes ali. Desta maneira, a escola passa a ser vista como algo bom, desejável e agradável. Não é um espaço de depósito, onde os pais deixam as crianças para trabalhar, nem um meio para chegar ao vestibular, a escola tem como fim maior desenvolver a capacidade de pensar, de se relacionar socialmente, de despertar o desejo pelo conhecimento e por querer uma profissão. Nada disto pode ser desenvolvido num espaço sem afeto.

Há grande necessidade de pais e escolas manterem um diálogo próximo e profundo. Claro, que, infelizmente, esta não é a realidade da maior parte das escolas. O que é um pena e uma grande perda para todos. Pois há uma grande diferença entre família e escola: a escola tem início, meio e fim; enquanto que a família é eterna. A escola ficara na lembrança do adulto, podendo marcá-la de forma positiva ou negativa. Mas os pais serão presentes na vida dos filhos enquanto eles viverem, mesmo depois que os pais falecem seus exemplos e ensinamentos se mantém atuantes na vida de um filho.

Então quando os pais conseguem demonstrar ao filho o quanto desejam e respeitam o espaço escolar, criam uma semente para que a criança também goste deste espaço. E posso tolerar as regras ali existentes.

Os pais precisam entender que a escola é um desejo deles para os filhos. A escola proporciona o que os pais não podem: a educação e a socialização. É onde a criança aprende coisas, se socializa e organiza sua personalidade. Quando há afetividade nesse processo o aprendizado pode ser aplicável. A educação não fica maçante, ao contrário torna-se desejável. Por isso os pais precisam escolher a escola, conhecê-la, visitá-la, serem presentes neste espaço. A escola realiza o desejo dos pais, mas o pais não podem realizar os desejos da escola:, por esta razão é necessário que pais e professores conversarem muito, que tenham um diálogo aberto e franco.

Quando a escola conhece o ambiente familiar, as vivências e dificuldades da família pode orientá-los e os pais podem ser ajudados no processo da educação do filho. É desta maneira que o espaço escolar torna-se efetivo, completando a família. Um trabalho de união e não de separação.  

Papel dos Pais

O papel dos pais e os limites na educação dos filhos.

A personalidade da criança e do adolescente se estrutura e molda essencialmente no meio familiar. Os pais, responsáveis pela educação e orientação de seus filhos, devem assumir o seu papel e, além de oferecer amor, impor limites a seus descendentes. Tal tarefa, ainda que exigente, não pode deixar de ser exercida com autoridade, à medida em que os filhos necessitam compreender a verdadeira figura dos seus responsáveis.

A idéia de limite na educação dos filhos, que não raras vezes é compreendida equivocadamente como imposição de castigo ou punição, deve ser percebida como um processo de formação da personalidade da criança, um marco em sua socialização, que envolve, dentre outras condutas, a compreensão, o diálogo, o convívio e o respeito. É através de tais condutas, que são transmitidos valores éticos sólidos capazes de fazer com que a criança e o adolescente ajustem seus comportamentos às exigências da vida dentro da coletividade e obedeçam regras básicas de convivência.

A imposição de fronteiras aos filhos, desde que apropriadas, ensina-os a compreender a posição dos pais, os quais, aliás, não devem se sentir culpados por estarem em grande parte do dia afastados do lar, ou pelo fato de dizerem “não” aos seus filhos. Nesses casos, muitos deles procuram compensar sua ausência com condutas permissivas, apelando à via ilusoriamente fácil das “compensações”, que vão desde a concessão de liberdade desmedida até a falta contínua de respeito e de cumprimento de qualquer dever. Pelo contrário. Sua ausência em razão de sua atividade profissional não significa falta de amor ou atenção, mas sim, dignidade para o seu sustento.

Os pais, de fato, devem conhecer seus filhos e suas rotinas, e têm o compromisso de procurar identificar quem são seus amigos e na companhia de quem estão quando saem. Ao chegarem em casa, eles devem privilegiar o convívio, escutar com interesse as experiências vividas pela criança e pelo adolescente, bem como estimulá-los a freqüentar a escola e a respeitar o próximo.

Há de se destacar, por fim, a importância do Estatuto da Criança e do Adolescente como regulador da convivência entre pais e filhos, pois, se de um lado coloca a criança e o adolescente como sujeito de direitos e merecedores de tratamento especial, por outro, prescreve que a educação dos filhos deve ser feita sem expô-los à humilhação, lesão ou vexame. Os pais, enfim, devem ser vistos pelos filhos como uma referência positiva e segura, como aqueles que irão educá-los e apoiá-los com firmeza e confiança, e não tão somente como os seus melhores amigos, pois estes, os filhos naturalmente irão buscá-los no decorrer de suas vidas.

Assim, a educação dos filhos, embora seja tarefa complexa, deve ser baseada num ambiente familiar de paz, carinho e diálogo, sem, contudo, transferências de responsabilidades ao Estado, representado pela figura da escola, do Promotor de Justiça, Juiz de Direito ou do Conselho Tutelar. O direito/dever dos pais de educar seus filhos implica, necessariamente, imposição de limites, guardadas as proporções quanto aos motivos, meios e modos de correção, bem como quanto à sua finalidade, que é essencialmente educativa, à medida em que imputam valores imprescindíveis para o desenvolvimento dessas crianças e adolescentes, o que se constitui, sem dúvida, em um verdadeiro ato de amor.

Miguel Granato Velasquez
Promotor de Justiça - Coordenador do Centro de Apoio da Infância e da Juventude.

Família e Escola

Família e escolha: quais são os papeis

Conceituar o papel de cada uma destas instituições importantes da sociedade, família e escola, eu diria que é quase impossível. Tornaram-se hoje grandes fontes de problemas. A família perdeu seu núcleo pai-mãe-filho, tornando-se um amontoado de pessoas vivendo sob o mesmo teto ou até em tetos diferentes, tentando educar o filho com suas visões de mundo, para assim encaminhá-los à escola.

Por outro lado, a escola inconformada com o que tem recebido das famílias se põe no papel de responsável em educar e ensinar o pedagógico e, em inúmeras vezes, perde seu principal foco: a formação pedagógica desse indivíduo.

A inversão dos papéis da escola e da família junto à sociedade é muito nítida, por exemplo, antes de um processo alfabetizador, a escola precisa integrar esse aluno, advindo de uma família que o criou até então como centro do universo. Essa não deveria ser apenas responsabilidade da escola, devendo ter sido trabalhada pela família.

Perde-se muito tempo dando possibilidade para que essa criança entenda que precisa se colocar no lugar do outro, que respeite seus colegas como deseja ser respeitado, tarefa simples que deveria ter sido feita pela família. O papel educador é responsabilidade da família, para que o papel pedagógico possa ser exercido pela escola com boa qualidade.

O caminho e a parceria entre família e escola é fundamental. Ambas precisam se acolher, se entender e se ajudar para o bem comum desse indivíduo, preparado como pessoa para viver em sociedade. Porém, sempre cabe à família educar e estar alerta, pois o contrato com a escola pode ser rescindido, mas o contrato de pai, mãe e filho é para a vida toda. Portanto, é muito importante exercer os papéis com sabedoria e responsabilidade de todos.

Esther Cristina Pereira
Diretora de Ensino Fundamental do Sinepe/PR
(Sindicato das Escolas Particulares do Paraná)

Limites na Educação

Limites na educação das crianças

O papel dos adultos na educação dos filhos se resume a ter autoridade com firmeza, paciência e persistência nas palavras.

Nos dias atuais, é possível perceber uma grande mudança na maneira como os pais educam seus filhos. Estamos passando por uma crise de valores em que a falta de limites e a falta de bons exemplos por parte dos pais traçam muitas das características que os jovens carregam para a vida adulta.

A falta de limites por parte dos pais cria jovens que pensam ter o poder nas mãos e que acham que podem fazer tudo, sem ter que pagar pelas consequências de seus atos. Infelizmente, muitas crianças nunca ouviram um não de seus pais, e isso traz muitos prejuízos para o seu amadurecimento, pois, dessa forma, elas não aprendem a conviver com as frustrações.

Muitos pais, na tentativa de diminuir seu sentimento de culpa pelo pouco tempo que passam com os filhos, ou até mesmo por negligência, concedem-lhes poderes, como escolher se vão sair ou não, se irão viajar ou não e até mesmo se querem ou não ir à escola. No entanto, decidir e saber falar um não que oferece limites e educa é função dos pais. É extremamente necessário que os pais sejam firmes e tenham paciência com seus filhos, pois ameaças e falatórios não adiantam.

Os adultos são os únicos responsáveis pela educação das crianças que cuidam. Assim, é muito importante que a criança aprenda valores e saiba a importância de ser solidária, de partilhar, de respeitar a si mesma e aos outros, de ter compromisso e responsabilidades com seus atos. E é preciso que os pais entendam que não podem abster as crianças das frustrações, pois é dessa forma que elas amadurecem e se tornam aptas para enfrentar a vida, tornando-se jovens e adultos saudáveis e seguros.

Professora Paula Louredo
Graduada em Biologia

Biblioteca Escolar

A psicanálise dos contos de fadas e a biblioteca escolar

Um gesto ancestral, contar histórias para as crianças. Os professores preocupados com a falta de interesse, e o envolvimento dos alunos, nas atividades que trabalham a capacidade leitora buscam criar projetos que atendam a essa modalidade; e possam tornar os alunos leitores mais críticos e argumentativos. A biblioteca escolar como agente pedagógico contribui no papel de mediador da leitura e interage com os professores na formação do repertório literário; seja privilegiando o conhecimento ou o prazer de ler.

O modelo tradicional de contação de histórias faz da tradição oral uma alternativa com tratamento estético simples e extremamente atraente; que quando realizada em espaços de leitura, resulta em relatos, dos quais a compreensão dos signos exemplifica as relações sujeito e texto e permite estabelecer que o universo literário seja vivenciado independentemente de convenções culturais.

E o leitor? Ele é o agente receptivo da literatura como instrumento que lhe permite fazer escolhas, viver suas fantasias. Através de ressignificação das experiências do cotidiano, domina e aprende a viver as possibilidades que lhe são apresentadas nas mais diversas formas de sentimentos universais que os contos de fadas apresentam nessa relação. Os contos de fadas, assim como as artes, podem ser percebidos como fonte de liberdade interna; veículo que permite ao mediador despertar o leitor para questões que se apresentam como palco, onde possam representar seus conflitos interiores. O leitor, ao ouvir um conto de fadas, projeta inconscientemente parte dele mesmo em vários personagens da história. Sendo que essas representações são valiosas para orientar estudos e análises de conflitos psicológicos.

Os contos de fadas são importantes na primeira infância porque não apenas entretêm, mas permitem abordar dramas através do reino da fantasia e tocar em sentimentos e na realidade emocional de quem os lê. Ao contrário do que se imagina, os contos de fadas também produzem efeitos na vida adulta, principalmente quando se trata de psicoterapia e resgate dos sentimentos da infância do paciente. Revelam na forma de insights os conflitos derivados da inveja, avareza, vaidade e outros. O impacto dos contos de fadas sobre o adulto aparece da influência do tempo de criança, e acabam por nos revisitar em outros períodos da vida - aproximando em grande parte as realidades da vida infantil à realidade consistente por sua sobrevivência.

A identificação é a regra básica, a maioria das crianças alimenta fantasias; e, para que um conto de fadas tenha sucesso, é necessário que ele cumpra seu objetivo psicológico; por exemplo, a bruxa personifica a parte má e também a autoridade e a sua morte no final da história é a garantia de que todos foram felizes para sempre.

Para que haja desenvolvimento psicológico, é necessário aprendizagem. E aprender pode ser por meio de um conto, mas é preciso contar e ouvir para ser o sujeito da sua própria história.

Fonte: Revista Páginas Abertas, Especial 9º simpósio de educação Paulos - Por Leila Flores Maia - ano 39

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